segunda-feira, 31 de maio de 2010

domingo, 30 de maio de 2010

PEDIDO DA VIRGEM MARIA


EM LOUVOR DA VIRGEM MARIA


Avé, Maria bendita,
Senhora da terra e céus,
nós te saudamos prostrados,
nós que somos filhos teus.
.
Avé, ó cheia de graça,
templo santo do Senhor,
És a obra mais sublime
formada pelo Criador.
.
Com o Anjo te louvamos,
porque Deus contigo está.
Ele te escolheu para Mãe...
maior que tu não há.
.
És bendita entre as mulheres
que por Deus foram criadas.
Neste mês nós te oferecemos
as nossas flores perfumadas.
.
Bendito é o fruto, Senhora,
do teu seio imaculado.
Jesus, nosso Salvador
é o teu Filho adorado.
.
Mãe de Deus e nossa mãe,
roga por nós, pecadores...
Sê amparo e nos ajuda
nas nossas lutas e dores.
.
Conduz ao Céu os teus filhos.
Mostra que é Mãe, ó Maria!
Nós te amamos e amaremos,
ó Mãe nossa, e nossa guia!

.
de Padre Francisco Borges de Assunção

A VIDA


sábado, 29 de maio de 2010

DEUS É AMOR


O TERÇO DO AMOR


A CATEQUESE DO PAPA BENTO XVI









A Catequese do PAPA BENTO XVI:

OS SACERDOTES TÊM A MISSÃO DE ENSINAR, SANTIFICAR E GUIAR O POVO DE DEUS

26.05.10 - Cidade do Vaticano: O Papa Bento XVI se encontrou na manhã desta quarta-feira, na Praça São Pedro com os fiéis e peregrinos de todas as partes do mundo.

Na sua habitual catequese, diante de milhares de pessoas, o Santo Padre recordou que nas semanas passadas falara do ministério de ensinar e de santificar do sacerdote. Hoje o Papa se referiu ao seu ofício de governar a porção do povo de Deus a ele confiado.

Cada pastor é um instrumento através do qual Cristo chega às almas, para instruí-las e preservá-las. Para guiar o rebanho – disse o Papa – o sacerdote necessita ter uma profunda amizade com o Senhor, uma contínua disponibilidade para deixar que Ele governe a sua vida e uma real obediência à Igreja.

Queridos irmãos e irmãs,

Os sacerdotes têm a tríplice missão de ensinar, santificar e guiar a porção do povo que Deus lhes confiou, a exemplo do Santo Cura d’Ars, que se demonstrou pastor forte e determinado na defesa do bem das almas. Para conduzir o rebanho para onde o Senhor quer, e não na direção que nos parece mais conveniente ou mais fácil, é necessária uma disponibilidade incondicional, deixando que o próprio Cristo governe a vida do sacerdote.

Por isso, na base do ministério pastoral, está o encontro pessoal e constante com o Senhor, para conformar a própria vontade com a d’Ele. Convido os sacerdotes para as celebrações conclusivas do Ano Sacerdotal nos próximos dias 9, 10 e 11 de Junho: meditaremos sobre a conversão e a missão, o dom do Espírito e a relação com a Virgem Maria e renovaremos as nossas promessas sacerdotais, sustentados por todo o povo de Deus.



Em seguida o Papa fez uma saudação aos fiéis de língua portuguesa presentes nesta manhã na Praça São Pedro e concedeu a sua Benção Apostólica.

Amados peregrinos de língua portuguesa, com destaque para a Associação «Família da Esperança» pela numerosa presença dos seus membros: a minha saudação amiga para vós e para os fiéis de Niterói e de Curitiba. De coração a todos abençôo, pedindo que rezeis por mim, Sucessor de Pedro, cuja tarefa específica é governar a Igreja de Cristo, bem como pelos vossos Bispos e sacerdotes para que saibamos cuidar de todas as ovelhas do rebanho que Deus nos confiou. Obrigado!

sexta-feira, 28 de maio de 2010

A SANTÍSSIMA TRINDADE EM NÓS




A Santíssima Trindade em nós — Conseqüências práticas.

Garrigou-Lagrange, O. P.

Santo Tomás, no final de seu tratado sobre a Santíssima Trindade, fala-nos das missões divinas e da habitação das três Pessoas Divinas em toda alma justa. Ele dá-nos uma certa inteligência deste mistério recordando-nos que Deus está sempre presente em todas as coisas, especificando de qual maneira especial está realmente nos justos e quais são os efeitos de Sua ação neles.


Presença geral de Deus em todas as criaturas.

Deus está, em primeiro lugar, presente em todas as coisas como causa conservadora por um contato, não quantitativo mas virtual; semelhante, não ao contato de nossa mão e do papel onde ela escreve, mas ao contato da nossa vontade e da mão que ela move. É o contato dinâmico da Onipotência e o efeito imediato produzido por Ela. A conservação da criatura na existência é, de fato, a seqüência do ato criador. Ora, Deus criou sem intermediário, sem nenhum instrumento, a matéria, sujeito primeiro de toda mudança corpórea, e produziu igualmente ex nihilo, do nada, as almas espirituais e imortais e os espíritos puros finitos. Ele conserva, portanto, imediatamente, a matéria, as almas, os anjos; portanto, existe um contato dinâmico da Onipotência (que não é realmente distinta da natureza divina) com nosso ser natural. É a presença geral de Deus em todas as coisas, dita presença de imensidade, aquela de que fala São Paulo quando diz: O Deus que fez o mundo, sendo o Senhor do céu e da terra... não está distante de cada um de nós, pois é Nele que temos a vida, o movimento e o ser. (At 17, 28) Deus é como o lago donde emana a vida da criação; Ele é a força central que atrai tudo a ela, como o diz a liturgia: “Rerum Deus tenax vigor, immotus in te permanens”.

Presença especial de Deus nos justos segundo a Escritura.

A Santa Escritura não nos fala somente desta presença geral de Deus em todas as coisas, mas também duma presença especial de Deus nos justos. É dito no Antigo Testamento, no livro da Sabedoria I, 4: A sabedoria divina não entrará numa alma maligna, não habitará num corpo sujeito ao pecado. Seria somente a graça criada ou o dom criado da sabedoria, que viria habitar na alma do justo?

As palavras de Nosso Senhor nos trazem uma nova luz e nos mostram que são as próprias pessoas divinas que vêm habitar em nós: Se alguém me ama, diz, ele observará minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e faremos nele Nossa morada (Jo 14, 23). Ao mesmo tempo Nosso Senhor promete enviar-nos o Espírito Santo (Ibid., 26). Segundo estas palavras, quem virá? Seriam somente os efeitos criados, a graça santificante, a caridade espalhada nos nossos corações? Não. Estes que vêm são Aqueles que amam: Meu Pai e eu viremos a ele, e não duma maneira transitória, mas faremos nele Nossa morada. Rogarei a meu Pai e ele vos dará um outro consolador, para que habite em vós para sempre, o Espírito da verdade... que vos ensinará todas as coisas e vos lembrará tudo o que eu vos disse. (Ibid., 16-26) Estas palavras não são ditas somente aos apóstolos — eles verificaram-nas em si, no dia de Pentecostes, que é renovado em nós pela Confirmação.

Este testemunho do Salvador é claro, explicitando bastante o que diz o livro da Sabedoria. São realmente as três Pessoas Divinas que vêm habitar de maneira permanente nas almas justas.

Deste modo o compreenderam os apóstolos. São João escreve (1 Jo 4, 9-16): Deus é caridade... e aquele que está na caridade permanece em Deus, e Deus nele. Ele possui Deus em seu coração, mas, mais ainda, Deus o possui e o guarda nele, conservando, não somente a existência natural, mas a vida da graça e a caridade.

São Paulo diz o mesmo (Rm 5, 5). Enquanto a alma permanecer em estado de graça, enquanto conservar a caridade, ela será o templo do Espírito Santo.

Em várias ocasiões, São Paulo volta a esta doutrina consoladora: Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o espírito de Deus em vós habita? (1 Cor 3, 16; 6, 19). Esta presença especial das três Pessoas Divinas é especialmente apropriada ao Espírito Santo, porque ela depende da caridade — a qual nos assimila a Ele mais que ao Pai e ao Filho, pois que Ele é o amor pessoal. Elas estão também em nós, segundo o testemunho de Jesus, mas nós não lhes seremos perfeitamente assimilados senão recebendo a luz da glória, que nos fará marcados pela semelhança do Verbo, que é o esplendor do Pai. De modo equivalente fala Leão XIII em sua encíclica sobre o Espírito Santo: “Divinum illud munus” de 9 de maio de 1897.

A Escritura ensina portanto mui explicitamente que as três Pessoas Divinas habitam em toda alma justa, em toda alma em estado de graça. A tradição, pela voz dos primeiros mártires, pela voz dos Padres, pelo ensino oficial da Igreja mostra, por outro lado, que é deste modo que é preciso compreender o que diz a Escritura.[1]

Qual união resulta desta habitação?

Os teólogos comumente ensinam que esta união do justo às Pessoas Divinas difere imensamente da união hipostática da humanidade de Jesus ao Verbo; a coisa é manifesta, pois a união hipostática é a união da natureza divina e da natureza humana numa só e mesma pessoa, aquela do Verbo.

Ao contrário, o justo tem com Deus uma união não-substâncial, mas acidental e moral. Em outros termos, é uma união pelo conhecimento e o amor. Contudo, esta união é real, pois as Pessoas Divinas estão presentes no justo não só por um efeito de sua operação, como o sol está presente sobre a terra pela luz e pelo calor que lhe envia; as próprias Pessoas Divinas estão realmente e substancialmente presentes na alma justa (sem lhe estar substancialmente unida como o Verbo à humanidade de Jesus). Os teólogos normalmente dizem: “solus Deus illabitus animae”, Deus está realmente presente na alma justa, mais intima que ela mesma, como o princípio íntimo de sua vida interior.

Os teólogos também concordam geralmente em admitir que, como já dissemos, a habitação das três Pessoas Divinas é própria ao Espírito Santo, pois que depende da caridade, a qual nos assimila mais ao Espírito Santo, amor pessoal, do que a fé esclarecida pelos dons nos assimila ao Verbo e por Ele ao Pai. A perfeita assimilação ao Verbo e ao Pai far-se-á quando nós recebermos a luz da glória.[2]

Enfim, geralmente se ensina que o Espírito Santo santifica a alma justa, não como causa formal, mas como causa eficiente e exemplar.

Eis porque não devemos dizer que o Espírito Santo é, propriamente falando, “a alma de nossa alma, a vida de nossa vida”, mas que é, por assim dizer, “como a alma de nossa alma, como a vida de nossa vida”. Ele não é, de fato, o constitutivo formal dela, mas, com o Pai e o Filho, é causa eficiente de nossa santificação, pois produz, conserva e aumenta em nós a graça santificante e a caridade. Além disso, é a causa exemplar dela, pois a caridade criada é uma similitude participada da caridade incriada[3]. Também é o seu fim último atraindo a si soberanamente, está em nós, junto com o Pai e o Filho, como um objeto quase experimentalmente conhecível e às vezes efetivamente conhecido, e amado acima de tudo.

Quais são as conseqüências práticas da habitação da Santíssima Trindade em nós?

Uma vez que o Espírito Santo habita em nós e nos concede, com a caridade, os sete dons, que estão em nós como em um barco com velas dóceis à impulsão do vento favorável, devemos ter uma grande docilidade com relação ao Espírito Santo. Isto supõe primeiramente o silencio em nossa alma, para que as inspirações divinas, ainda latentes, não passem desapercebidas; é preciso silenciar as paixões mais ou menos desregradas, as de afeições naturais, da ambição; silencio que supõe a mortificação de tudo o que há em nós de desordenado.

A docilidade ao Espírito Santo supõe também o discernimento para distinguir as inspirações divinas daquelas que não são boas senão aparentemente. As que vêm do Espírito Santo nos lembram quase sempre um dever; em outras oportunidades, contêm um conselho manifestamente conforme a nossa vocação, e ai, então, é seguro que convém grandemente segui-los. E então as inspirações se tornam cada vez mais numerosas e prementes. Quem pode dizer o valor de uma só inspiração verdadeiramente conforme à nossa vocação? Não segui-la expõe-nos a vegetar durante anos, segui-la orienta-nos docilmente à santidade.

Praticamente, não se deve ir nem muito lentamente, por falta de generosidade, nem muito rápido, por presunção.

Muitos vão muito lentamente e tornam-se almas atrasadas; não são mais iniciantes, e tampouco progridem. Estas almas são, na vida espiritual, como crianças anormais que não cresceram, e que se tornam um tanto disformes, como anões.

Como uma alma torna-se atrasada? Isso ocorre-lhe sobretudo pela negligencia às pequenas coisas na pratica das virtudes e da piedade. Cessamos de ver o lado grandioso das pequenas coisas no serviço de Deus e nos dispomos assim a ver só os pequenos aspectos das grandes coisas, como a missa, a palavra de Deus, a teologia, o ministério apostólico; dispomo-nos a enxergar somente o que é exterior. A capacidade de julgamento decai com a vida. As pequenas coisas do serviço de Deus são pequenas em si mesmas, mas grandes pelo fim ao qual são ordenadas e pelo espírito de fé e de amor com o qual seria preciso cumprir-las; seriam então observadas espontaneamente, sem precisar refletir sobre elas, como o pianista que toca bem cada nota de seu piano. Estas pequenas coisas são a oração antes e depois do estudo, antes e depois das refeições, a prática atenta até aos detalhes das virtudes da humildade, da paciência, da doçura, da polidez. Em si é pouca coisa, como os cílios ou sobrancelhas de uma fisionomia humana, que, entretanto, sem eles estaria desfigurada. Como diz Santo Agostinho: “Minimum quidem minimum est, sed semper servare legem Dei etiam in minimis, hoc quidem maximum est”. Aquele que é fiel nas pequenas coisas dispõe-se a ser fiel nas grandes quando estas lhe são pedidas: Qui fidelis est in mínimo, et in majori fidelis est. (Lc 16, 10). Assim mantém-se uma união não só habitual, mas atual com Deus, duma maneira quase continua e, por aí, fiel à graça do momento presente e às inspirações que ela contém.

Uma alma torna-se atrasada também pela recusa dos sacrifícios exigidos para romper com uma afeição demasiado sensível, com o gosto de confortos, com uma certa tendência à vaidade, ou à dominação. Tornamo-nos atrasados recusando seguir a inspiração que nos levaria a ser mais esforçados, mais generosos no serviço de Deus, mais atentos às necessidades da alma do próximo. Então, a vida decai cada vez mais, e o julgamento com a vida, pois cada um julga segundo sua inclinação. É deste modo que até mesmo almas consagradas podem se transformar em almas atrasadas; e então os efeitos usuais da habitação da Santíssima Trindade nelas produzem-se cada vez menos.

* * *

É evidente que é preciso reagir, evitando a todo custo o defeito contrario que é o da precipitação, pois então a reação seria totalmente superficial e de curta duração. Evitemos a precipitação da criança que quer correr no começo de uma ascensão, e que, fatigada ao final de dois quilômetros, renuncia à escalada. É necessário, como dissemos, caminhar ao passo pequeno e resoluto do montanhês, que não se detém senão no cume.

Não se deve querer voar antes de ter asas, e não confundir o primeiro momento de entusiasmo com o firme propósito de avançar custe o que custar. Nem confundir a ordem da intenção, onde o fim entrevisto e desejado é o primeiro, com a ordem da execução, onde o fim só é obtido e conquistado em último lugar, depois de se ter empregado todos os meios, desde os menores até os mais elevados. Precisamos evitar o sentimentalismo que está na sensibilidade, a afetação de um amor que não se tem, ou não o bastante, na vontade. É preciso dar-se conta, com um realismo são, que existe desde há muito tempo, tempo demais, no fundo de nossa vontade, como diz Tauler, uma misteriosa luta, algumas vezes trágica, entre a caridade que tende a se enraizar e o egoísmo que tende a renascer sempre como erva-daninha.

Veremos então se realizar pouco a pouco as conseqüências normais da habitação da Santíssima Trindade em nós, aquelas notadas por Santo Tomás: (Suma Contra Gentios. 1, IV, c. 21 e 22). Receberemos graças sempre novas de luz, de atração, de amor, de generosidade, de força e de paciência; possuiremos cada vez mais a presença de Deus, entreter-nos-emos constantemente com Ele, como Santo Domingos que não sabia falar senão com Deus ou sobre Deus; encontraremos nesta conversação íntima a paz, às vezes o júbilo, com o desejo de uma conformidade cada vez maior com a vontade divina, e nesta conformidade desejada encontraremos a santa liberdade dos filhos de Deus, porque a vontade divina reinará cada vez mais na nossa vontade, na medida em que a caridade se enraizar mais profundamente nela. Compreenderemos, então, cada vez melhor, que nossa vontade é de uma profundidade sem medida, já que só Deus, visto face a face, pode saciá-la e atraí-la irresistivelmente.

Roma, Angélico

"OS TRABALHOS DE JESUS".DE FREI TOMÉ DE JESUS


Dor e Amor em Frei Tomé de Jesus*

"Este buenfraile português, que escribió su obra estando cautivo de los
moros en Marruecos, tenia una fertilísima imaginación para inventar
refinamientos dei padecer. Su libro, todo efusiones líricas y encendidas
jaculatórias, es un largo himno (...) ai dolor.'f

Uma Época na História das Ideias Religiosas
Não entrando propriamente pela problemática do aparecimento das Reformas, nem
por aquilo que a Europa "sentiu" desde finais do séc. XIV e que, em ondas sucessivas, se
veio manifestando em tantas e tantas aflorações do religioso1, preocupam-nos, mais que tudo,
aflorações que resultam de uma sequência (e também das consequências), mais ou menos articuladas,
de males: a guerra (dos Cem Anos 1339-1450, das Duas Rosas 1455-1485,...), as pestes
(entre todas a Peste Negra, por volta de 1348), os mundos cismáticos ou hereges do fim
do mundo medieval reagindo, quantas vezes socio-religiosamente, contra os mundos degradados
da hierarquia eclesiástica aristocratizada2. Afinal, aflorações que se configuram em formas
de resolução da situação do homem face a Deus. E uma atitude religiosa, com resoluções
religiosas, aquela que está por detrás da reforma.
A reforma é, pelos anos de 1500, e segundo Pierre Chaunu, a consensualidade em
torno da necessidade da mudança3. Essa necessidade acaba por se expressar em formas muito
diferentes, tanto que algumas, conduzirão ao pensar diversamente a Escritura e à realidade
da ruptura da Christianitas.
* Este texto constituiu, já em 1985, sob diferente roupagem, das formas e algumas ideias, a Aula apresentada
nas Provas Públicas de passagem de Assistente Estagiário a Assistente, na F.C.S.H. da U.N.L. Foi orientado
pelo Prof.Doutor José Esteves Pereira e arguido pelo Prof. Doutor João Morais Barbosa (1945-1991). Agora,
mercê da revisão cuidada e amiga da Proff Doutora Maria de Lurdes Correia Fernandes é, finalmente, publicado.
Ontem, o Prof. Doutor João Francisco Marques era uma certeza metodológica è de pesquisa, alguém
que eu muito queria conhecer para com ele aprender e trabalhar. Hoje, é o Mestre, que tenho a alegria de
contar entre os meus Amigos. Por tudo isto, e apesar de sentir que lhe devo maior qualidade e saber do
que aqueles que aqui expresso, pareceu-me legítimo rebuscar um tema e texto que já são parte da minha
memória de aprender a fazer História.
1
Para melhor compreensão do que dizemos recuperaremos três dessas aflorações que a
atitude de reforma veio suscitando na Europa do início dos tempos modernos.
A primeira afloração a que dedicaremos a nossa atenção passa pelo aprofundar da realidade
da presença de Cristo na alma e pelo sentir dessa presença. Falamos da mística dos séculos
XIII e XIV. Como escreveu Huizinga, em frase de mestre, "das fases preparatórias do misticismo
intensivo de uns poucos saiu o extensivo misticismo da devotio moderna de muitos."4
"Misticismo intensivo de uns poucos" escreveu Huizinga. O que foi a maneira de afirmar
um traço de extrema importância, o da atitude individualista de reforma que aqui tocamos.
Foram indivíduos isolados, retirados do mundo, que deixaram escritas as suas elaborações
sobre o contacto directo entre Deus e o homem; foram ainda alguns desses indivíduos que
tiveram esse contacto directo. Os nomes dos construtores das ideias religiosas e místicas de
então são, entre todos, Eckart (7-1327), Ruysbroek (1293-1381), Tauler (1300-1361) e Suso
(1295-1366) e, também, Catarina de Siena (1347-1380) e tantos e, sobretudo, tantas outras...5
O que se passou entre eles, o que detectamos nas suas obras como raízes da atitude de
reforma que persistiu nos séculos seguintes? Primeiro, reconhecemos a par e passo um exercício
ascético, metódico e quotidiano, visando um esvaziamento do eu por forma a deixar que aí
a totalidade seja Deus. Depois, um desenvolvimento de crenças e pensamentos em que a interiorização
ganha cor de união entre dois seres: o Criador, ente supremo, o homem, ente inferior.
Fortemente entrelaçada com esta construção mística, mas dela se diferenciando, com mais
largo campo espacial e com raízes bastante diversificadas, a devotio moderna acabará por desenvolver uma atitude pastoral vincada, ou seja, uma procura da difusão de uma vivência cristã, pautada pelos referentes da Sagrada Escritura, detectados e retidos pela Igreja, e uma defesa da vivência ascética desses ideais, o que consequentemente conduziu a uma defesa da interiorização6.
,
Desenvolve-se, assim, um método de aperfeiçoamento e intensificação da vida interior.
Método é palavra chave para a compreensão desta afloração de reforma. Daí que não
seja difícil compreender que as primeiras compilações de textos com vista ao aperfeiçoamento
da vida interior tenham surgido nos meios próximos da devotio moderna. Dessas compilações,
o caminho para a composição de Abecedários, Tratados de oração e Exercitados ou
Exercícios Espirituais foi fácil e aconteceu em continuidade8.
No topo desta actividade encontramos a Imitação de Cristo, obra anónima ou, talvez
terminada, por Thomas Kempis (1379/80-1471). Aí se fixou o ideal da devotio, de tal forma
consolidado e voltado para uma larga absorção que conseguiu ganhar a popularidade que na
época só a Bíblia poderia disputar9. A obra comporta em si os temas essenciais da renúncia
e da afirmação de uma religião interior. Aliás, o título latino, que encima a sua versão mais
divulgada, é o de "Imitatione Christi et contemptu omnium vanitatum mundi" "II s'ouvre -
escreve Francis Rapp - sur 1'apologie du renoncement. II evoque ensuite 1'amitié que Ia pauvreté
permet de nouer avec Jesus. Enfin Ia dernière des quatre parties est consacrée tout entière
à Ia communion qui, lorsqu'elle n'est pas un geste vain mais un acte soigneusement préparé,
renforce Ia présence du Christ dans 1'âme fidèle."10
Estas duas atitudes obrigam a um jogo interior entre uma mortificação (que implica a
dor) e uma aceitação da força do amor de Deus (que implica o amor puro ou perfeito) por
forma a que o indivíduo possa não ser, para que, por amor, o Ser seja, em si11.
Juntemos agora as linhas de força da devotio moderna e de outras espiritualidades,
nomeadamente místicas. Atitudes de interiorização mais ou menos acentuadas, atitudes de
mudança implicando clérigos e leigos, atitudes de aperfeiçoamento pela interiorização, pela
leitura, pela meditação, pela contemplação. Passemos à Península Ibérica do século XVI; aí
encontraremos a terceira afloração que pretendemos analisar; a do recogimiento a que, por
vezes, .
.
Avançamos no tempo, restringimos a área geográfica, constatamos o pensar do religioso
"novo" num período em que a atitude de reforma era já, aqui, atitude de Reforma
Católica. Agora, grupos de leigos, de "beatas"13, em conjunto com alguns religiosos e clérigos,
realizam uma reforma que nem sempre pareceu compadecer-se com essa Reforma Católica.
Em Espanha, em larga escala, em Portugal, por uma importação fácil, os recogidos
ganham posição. Nunca passarão de pequenos grupos, mas terão importância no desenvolvimento
posterior das ideias religiosas que se baseiam em pressupostos de interiorização do divino.
As suas ideias podem enunciar-se com a simplicidade que os seus mentores pretendiam,
com vista, tanto quanto possível, à massificação de atitudes de recolhimento interior ou até de
"misticismo". No ponto de partida está uma defesa e prática de oração mental, que se alia à
confiança na acção de Espírito no interior de cada homem, o que conduz à defesa da comunhão
frequente. Só por estes tópicos podemos compreender quanto interessava mais aos recogidos
o interior dos cristãos que, inevitavelmente, conduziria a toda uma série de mudanças
reformistas, do que uma reforma de cariz institucional, ou de forte cariz moralizante14.
Estender a todos a possibilidade de melhorar, interiorizando, a sua vida de cristãos,
foi a atitude dos recogidos, nalguns casos, através de atitudes de Reforma Católica.
V.Temas y personajes (1570'1630). Madrid: Fundacion Universitária Espanola, 1994. Todos estes e muitos
devem merecer a nossa atenção, apesar de todos os limites das suas fontes informativas. Sem pretender qualquer interpretação ou aportação, gostaríamos de chamar a atenção para algumas linhas que, a seu pro pósito, se cruzam durante os sécs.XVI e XVII ibéricos. A primeira recai sobre a sua dimensão feminina, que é realidade comum e transversal a todo o tema. Uma segunda, sobre os limites por vezes ténues que então se estabelecem entre as diferentes esferas do pensar e do fazer e, sobretudo, entre o laico e o religioso, e entre o ortodoxo e o heterodoxo. Neste sentido, citam-se de seguida, por ordem de publicação, algumas aportações trazidas, ou pelas fixações e estudos críticos de alguns textos ou pelo desenvolvimento de alguns temas, que podem permitir um pôr de questões e interrogações, na esfera das interligações com preensivas. Helmut HATZFELD - Mística femenina clásica en Espana y Francia. Estúdios literários sobre mís
tica espanola.
Um caso: a reforma dos Agostinhos
Foi, contudo, no mundo fechado dos mosteiros e em alguns ambientes conventuais
que a Reforma Católica iniciou o seu caminho. Exactamente, porque se tratava de um mundo
fechado, de um conjunto de pequenas comunidades isoladas, foi fácil, pela acção de alguns,
detentores de postos de autoridade, o que todas as Regras previam, restaurar as comunidades
em desagregação por razões de corrupção. Por detrás está a atitude de reforma que a
Europa respirava e, consequentemente, as aflorações que dela se vinham manifestando15.
Consideremos, dentro desta perspectiva, o mundo monástico português do século
XVI. Melhor ainda, o mundo da reforma de uma ordem monástica, aquela em que viveu e
cresceu espiritualmente Frei Tomé de Jesus: a Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho16.
Para isso seguiremos, com ligeiríssimas alterações, as indicações que Silva Dias nos deu no
seu livro..
Depois de graves dissidências internas quanto às eleições para Vigário Geral, nas quais o Rei
D. João III interviu abertamente, a Província acabou por, em 1535, ter nomeados dois reformadores.
Eles vêm de Espanha e são: Frei Francisco de Vilafranca e Frei Luís de Montoya (1497-1569).
A actividade dos reformadores prossegue com mais ou menos intensidade nos anos
seguintes. Montoya dirige o colégio universitário da Ordem, em Coimbra, que serve aos
noviços, Vilafranca restaura o Colégio da Graça, em Lisboa e, a partir dele, os mosteiros da
província.à
Mas os esforços de tantos anos continuavam a encontrar fortes resistências entre
aqueles, da Ordem dos Eremitas, que atacavam a observância que se procurava impor. Ainda
antes da morte de Montoya, por volta de 1565/1566, um frade agostinho, em tantos aspectos
filho espiritual do reformador, tenta recuperar o sentir observante e garantir-lhe uma vida
despreocupada. O seu nome é Frei Tomé de Jesus.
O frade pretendia fundar em Portugal uma recolecção agostiniana, onde se viveria
com intensidade a austeridade a espiritualidade que os observantes vinham tentando impor a
toda a Ordem. O seu biógrafo D. Frei Aleixo de Meneses (1559-1617) escreverá a este respeito,
"foi grande zelador da observância regular, e vida religiosa; e assim vendo que
alguns com desejo de maior perfeição se passaram à Itália a viver em congregações mais
apertadas de Recoletos da Ordem, para consolo destes, e remédio de outros muitos, que
pretendiam o mesmo, determinou fazer uma congregação de Recoletos no Reino de
Portugal, de grande penitência e pobreza"1* Mas estes esforços foram gorados.
Para que assim tivesse acontecido contribuiram duas razões: a má fama de que gozavam
as observâncias italianas e alemãs onde se afirmava existirem fortes infiltrações de ideias
luteranas, que se consolidaram nalgumas passagens de monges agostinhos para o campo da
Reforma Protestante; a própria formação espiritual de Frei Tomé de Jesus, próxima de Frei
Luís de Montoya
Juntemos a estes dois dados a aparição da obra de Frei Luís de Montoya Obras de los
que aman a Dios20, volume que desapareceu quase completamente das bibliotecas portuguesas
o que, possivelmente, aponta para uma actuação da Inquisição. E o facto de o já então
suspeito à Inquisição espanhola, Frei Luís de Léon (1527-1591)21 ser um dos indigitados
membros da recolecção, que Frei Tomé de Jesus propunha e Montoya apadrinhava. Era difícil
que durante a Reforma Católica se aceitasse está confluência, daí que a inicitiva rigorista
da recolecção se tenha gorado.
.
"Os grupos pietistas de Lisboa mantinham contacto entre si e reconheciam geralmente
a Frei Luís de Granada por seu mentor supremo22. Um desses grupos tinha assento no
Colégio da Graça, dos Eremitas Calçados de Santo Agostinho. O seu chefe aparente era Frei
Tomé de Jesus, frequentador assíduo e discípulo aproveitado do célebre dominicano.
Os Colégios da Graça [de Lisboa e de Coimbra] eram escolas de vida austera e de
espiritualidade contemplativa. O da capital distinguia-se mais que qualquer outro nesses dois
pontos. Além de Montoia e de Vilafranca, residiam nele Fr. Ubertino Ennio (7-1559), francês
de nascimento, conhecido por seus êxtases e vida de oração; Fr. Paulo de Barleta (7-1580),
italiano, muito favorecido de Deus; Fr. Agostinho da Graça (7-1593), antigo mestre de
Lovaina e grande amigo da oração, em que diariamente gastava muitas horas. Fr.Valentim da
Luz fora ali mestre de noviços23. Fr. Sebastião Toscano lá tivera também a sua cela. E Fr.
António da Paixão foi um dos seus priores. Eram muitos os que impeliam para fora da ''via
comum", para fora da mediocridade de ideias e de preocupações, a gente daquela casa.
A reforma dos Eremitas de Santo Agostinho foi dirigida por Fr. Luís de Montoia.
O que conhecemos da sua personalidade e actuação, deixa ver que ele era inclinado aos exercícios
de austeridade à rigorosa observância monástica e à meditação afectiva e doutrinal da
vida de Cristo. A obra escrita24 que nos legou confirma essa impressão e põe ainda em relevo
o papel das constelações teológicas agostinianas no seu espírito. Montoia tem, de facto, um
sentido muito agudo da misericórdia divina e do que ela representa na economia da salvação.
Apela constantemente para uma prática afectiva e interior, dominada pela força do
espírito e da comunhão da alma com Deus. As consolações espirituais e a devoção sensível
têm inteiro cabimento dentro do seu sistema, muito embora o principal acento deste esteja
nos valores da fé, da adesão e do amor. Todo o seu ensinamento aponta, com efeito, para uma
piedade interiorista e de puro amor." 25

Um autor e um texto
Biografia

Depois de professar, a sua actividade desenvolve-se, quase sempre, no convento da
Graça, em Lisboa, com algumas estâncias em Penafirme. Foi durante alguns anos deste período
que Frei Luís de Montoya lhe deu o cargo de mestre de noviços na casa lisboeta. Da função
resultou um livro Costumes do noviciado11, do qual se conjectura conhecerem-se apontamentos
posteriores29. Nos apontamentos da Graça, sendo ou não de sua mão, o que se constata
é o enorme peso concedido à oração mental como forma de preparar os noviços30.
A sua actividade na Ordem, depois da tentativa de criação de uma recolecção agostiniana,
é interrompida pela participação na jornada de África e sua prisão em Alcácer Quibir, em 1578.
Ao longo de quatro para cinco anos de cativeiro, de 1578 a data posterior a 27 de
Novembro de 1582, Frei Tomé de Jesus desenvolve larga actividade entre aqueles prisioneiros
que, por falta de meios económicos, não foram resgatados pelas famílias. Aí escreverá os
Trabalhos de Jesus e a Carta à Nação Portuguesa que os precede; esta última leva a data de
oito de Setembro de 1581, que é ainda aquela em que ficaram terminados os Trabalhos,.31
Os Trabalhos de Jesus
.
uma estrutura simples. Inicia-se com a "Dedicatória à Rainha do Céu e da
Terra. A Sempre Virgem Maria Senhora Nossa "33 à qual se segue a "Carta à Nação Portuguesa "34 e
o "Prólogo ao leitor"*5. Traça-se, de seguida, um pequeno, mas importante, excurso inicial,
onde ficam patentes o método e a forma de usar a obra.
Sob o título de "Doutrina dos frutos da consideração dos trabalhos de Jesus "36, figura um
texto geral e uma sequência de "Avisos do modo que se há-de ter para tirar o fruto que se
pretende da lição, e consideração dos trabalhos de Jesus "37. Os Avisos fornecem uma leitura do
texto dos Trabalhos enquanto "exercício", deixando em subtitulação a sinopse dos conteúdos:
"Modo que se há-de ter na hora do exercício, Modo que se há-de ter no exercício do exame quotidiano,
Motivos que podem acender a alma em amor do Senhor atribulado. "38 Terminadas as
apresentações, o texto toma o rumo que o título propõe: a narração dos Trabalhos de Jesus.
Os Trabalhos são em número de cinquenta, mais dois capítulos finais39. Os cinquenta apontamentos
estão divididos em duas partes, os "Trabalhos de Jesus que passou da hora em que foi
concebido, até o dia em que padeceu, resumidos em vinte-e-cinco"A() e os "Trabalhos de Jesus os
quais passou o Senhor no dia da sua sacratíssima paixão.,"41
Por sua vez cada um dos Trabalhos está dividido em duas partes: a primeira, corresponde
à narração do trabalho que Jesus passou; a segunda, a um exercício de reflexão-meditação do
qual aquele, que lê-medita, pode retirar razões e forças, para desenvolvimento da sua vida interior.
No final de cada exercício, que é, também, o final de cada trabalho, existe um parágrafo em
que se pede a intercessão, junto de Deus, à Virgem Maria e à Corte Celestial42.

Quando os Trabalhos de Jesus são escritos e, depois, quando vêem a luz do dia com
a impressão, na Península Ibérica abundam livros pensados e divulgados para melhoria da
vida interior de cada um. Frei Tomé de Jesus sabe-o e afirma-o como um perigo. Logo no
início do seu livro dirá, "e é isto nestes nossos tempos mais perigoso, que nos passados; porque
como temos agora mais coisas destas escritas, anda a linguagem do espírito mais geralmente
sabida e menos exercitada; e muito na língua, e pouco na obra, e experiência."43
Mais à frente, pelo contrário, refere-se-lhes não como perigo, mas como um meio de aperfeiçoamento de religiosos e leigos, escrevendo, umas porque não podem todos ser

O que o leitor necessita é uma disposição para a aprendizagem daquilo que se propõe ao
longo da obra. Não há ali remédios fáceis mas ajudas para a constução da vida interior. Por isso,
entre os que simplesmente querem ler a obra e aqueles que querem exercitá-la, 46 Trabalhos de Jesus, I, p. 47.

"recolhimento em hora certa"47 por forma que possa "ir o espirito mais livre e mover melhor o
afecto "48 para o aperfeiçoamento interior49.
Para chegar a ouvir Deus tem qualquer homem que proceder a uma purificação do seu
interior, purificação que só é possível com um domínio do exterior. É esse trabalho que Frei
Tomé vai ensinar a fazer por meio de um método simples: imitar a Jesus é, primeiro que
tudo, imitar o caminho da cruz, da dor e do amor. O seu método é o da mortificação (dos
sentidos, da mente...) e o da aceitação de que essa mortificação é, já, imitação de Jesus50.
"O remédio geral, e principal que há para não cair nestes perigos, e para sair dos
em que tem caído, é entender muito deveras qual é a substância na vida espiritual, para a
ter por norte e regimento de todos os exercícios. Esta é a mortificação e amor. A mortificação
que não acende o amor de Deus, é suspeitosa: e o amor, que não mortifica, não merece
tão divino nome. Este é o claro e escuro que dá ser e perfeição à vida espiritual" 51
O método proposto assenta numa defesa da direcção interior por parte de um homem
experimentado e "espiritual". Essa direcção passa pela necessidade da confissão do penitente,
que assim se purifica, e pela recepção com frequência da comunhão, numa atitude de participação no divino através do corpo e sangue que a transubstanciação trouxe ao altar52.
Como não podia deixar de ser, a segunda vertente do método é a da oração. Toda a
obra é um incentivo a essa atitude fundamental da interiorização. Ao tratar do "Desamparo
que Cristo teve na cruz", Frei Tomé de Jesus deixou-nos um pequeno resumo do caminho
que a alma atravessa, pela oração, pelo crescer da união com Deus53.
Fica claro que à alma será dada uma "cruz de tentações " e que perderá a "consolação
das criaturas", quer dizer, que será por um espaço de aprendizagem, conseguido por
amor e por entrega, que se atingirá o "perfeitíssimo estado dos perfeitos amadores e servos
de Deus de muitos não entendido "5A. Todas estas dimensões do método proposto, ficam consignadas naquilo que poderíamos chamar a planificação da vida espiritual: "Trabalhe por ter
vida ordenada e ocupada: porque a natureza regrada e ordenada cria menos malícia e
conhece-se melhor e acha o demónio menos entrada para tentar. Entende-se esta regra e
ordem no comer, dormir e em ter hora certa para recolhimento e oração, cada dia costume
de ouvir missa, dias certos para usar dos sacramentos, que devem ser a miúdo para
alimpar a alma, ofício divino, ou orações vocais particulares, devoção particular a Nossa
Senhora e a alguns Santos, a que se encomende cada dia como a advogados seus e peça
seu favor em todas as suas necessidades; e examine cada dia a alma, assim das culpas, como
do aproveitamento e com renovação dos bons propósitos."55

O Homem face a Deus
Face a Deus o homem está como coisa criada face ao seu criador. A dependência é, deve
ser, a da confiança. Uma confiança que é certeza do "poder" e do "querer" de Deus, desde que o
homem saiba "crer" e aceite uma vontade para lá da sua. Não há grande inovação na posição que
Frei Tomé assume. Ela é a que a Escritura propõe e que a prática cristã veio desenvolvendo ao
longo dos séculos. Só se acentuam dois tópicos. Ao "poder" e "querer" de Deus dá-se a força do
amor, que a dor da paixão transmitiu. Ao "crer" do homem assimila-se a dor, que conduz, por imitação
da dor de Jesus, ao amor. A mesma disponibilidade de entrega, mas uma tónica pessoal56.
0 peso dos sentidos e do afectivo
Coloca Frei Tomé de Jesus, em local cimeiro das suas ideias religiosas, o peso do sentir.
Este, é a forma de aprender o caminho e caminhar para Deus. Não admira a sua cuidadosa recomendação.
Logo na descrição do modo de se estar na hora do exercício, se devem deixar libertos
os sentidos para que melhor se sinta Deus, para que se possa "levantar a alma a Deus e
enternecer-se"51. Do mesmo modo, se deve conservar, em seguida ao exercício, o sentir que
Deus comunicou durante a meditação: "Acabada a hora e tempo que tomou para o exercício e
oração, se esteve nele brando e visitado do Senhor, levante-se com suspiros, ou com paz e sossego,
como quem leva a Deus consigo, e com mais recolhimento interior que poder, se vá ao
que há-de fazer, suspirando muitas vezes ao Senhor, ou abraçando-se com tão bom companheiro,
como consigo leva e trabalhe para conservar quanto puder aquela luz, paz e fervor que
lhe foi comunicada e naquele gaste quantos momentos puder, até chegar a outra hora de oração"
5*
Só é possível implicar desta forma os sentidos porque, em todo o seu pensamento,
existe uma noção muito real da humanidade de Cristo. Ele vangloria-se do uDeus homem"59,
esse Deus que ele adora apesar de "vestido de misera carne, e mortalidade."60 E não são simples
afirmações. O Deus que os cravos ferem ou a quem a lança abre o peito é um homem,
um homem que sofre na carne dilacerada, que mostra as entranhas feridas e ensanguentadas61.
Face a esse espectáculo de crueldade real e dor sentida, não pode o fiel ficar indiferente
e deve sentir, sentir com amor62
Cristão que não sente não se situa face à divindade humanada e deve pedir ao seu Deus


que lhe ensine a sentir, a crer afectivamente: "Olha alma, a crueldade com que pegam no
Senhor, e o mandam estender sobre a Cruz, e a mansidão com que a tudo obedece! Como
tomam a medida para os buracos, e o pregam sem nenhuma piedade pelas partes mais sensitivas,
que são os nervos, com duríssimos e grossos cravos de ferro; e se podes, sente a grandeza
daquelas imensas dores; e se o não sabes sentir, deseja-o, e pede-o ao Senhor que to conceda,
porque padeças no coração o que ele com tanto amor padeceu em seu sacratíssimo corpo."63
Crer afectivamente nasce com o sentir da dor e cresce com o amor. Esse crescimento
resulta de uma atitude de repúdio do "sentir" do mundo, de contemptus mundi, de recusa do
exterior e de apelo ao interior, ao fogo do espírito, para que apenas se sinta o calor do amor.
"Ó Deus de meu coração! Ó todo bem da minha alma, ó consolador, ó amparo dos
desamparados, (...) desejo que já que tudo vos falta nesta hora, vos não falte eu com este pobre
espírito, e fraco efrio amor. Abrasai-o vós, meu Deus, para que sinta o que passais e vos ame,
me abrace, e pegue com esta Cruz, para vos ajudar a sentir vossos imensos trabalhos."64
Vamos, mais uma vez, recorrer a Silva Dias para concluir sobre as implicações, ao nível
dos modelos paradigmáticos, mais ou menos intelectualizados e interiorizados, e suas aflorações,
nas práticas quotidianas de devoção. Assim fica escrito, em conclusão inteipretativa e problematizante, nas Correntes do sentimento religioso: "Fr. Tomé reproduz talvez mais fielmente que Granada a ideia-força da escola. O Mestre dominicano, na sua primeira fase, à força de querer recomendar e fazer aceitar as excelências da oração mental, deixou em lugar relativamente
secundário a mortificação. O discípulo segura os dois poios da cadeia, e, esclarecido já pelos
debates doutrinais do terceiro quartel do século e com a experiência dos iluminados à sua frente,
põe a oração e a mortificação em perfeito estado de equilíbrio, mostrando como a vida espiritual
depende delas duas e como ambas se inteipenetram e condicionam mutuamente. (...). Os
Trabalhos de Jesus baseiam-se no método afectivo e não deixam pressentir nem a meditação discursiva, com a sua ordenação e divisão rigorosa da matéria, nem a meditação amorosa e prática, de forma menos sistemática. O seu estilo, arredio das abstracções do Norte, reflecte os processos afectivos de Santo Agostinho e Hugo de Balma, desenvolvidos depois pela escola franciscana.
O movimento do afecto tem mais relevo na sua técnica que a imaginação e o discurso."65
A necessidade do "contemptus mundi1
É preciso repudiar o "sentir" do mundo, é preciso que cada cristão adquira uma atitude
interior, "cerrai meus sentidos e coração ao mundo"66, escreve Frei Tomé. A mortificação fica,
de novo, aqui implicada67 pois é a forma de ultrapassar dois obstáculos, o corpo e o mundo68.
O corpo é carne, forma de sentir material, forma de sentir de acordo com o homem--
animal que a queda inicial restaurou, é um sentir com o Demónio69 Ao corpo deve ser dado o
necessário e não o lícito70 porque o maior inimigo que a alma tem é o corpo, inimigo que
pode mesmo derrotar o espírito71. Cuidar e amar o corpo é ocasião dos maiores pecados entre
os homens e daí que Jesus, desde o seu nascimento, trate o seu com um desprezo que deverá
ser exemplo para todos aqueles que o querem imitar72.
Detestar o mundo torna-se uma necessidade para o avanço espiritual. Frei Tomé sentiu-
o bem. Não fora o abandono da Corte, que a casa paterna lhe proporcionaria com facilidade,
pela cela da Graça e, mais ainda, de Penafirme, e ele nunca teria conseguido uma distanciação
do exterior que lhe esvaziasse o coração dos afectos mundanos. Depois de Alcácer
Quibir não é essa atitude, aliada a uma missão de apostolado, que está por detrás da sua recusa
de aceitação da liberdade preferindo permanecer entre os cativos não resgatados?
O homem que está face a Deus está sozinho, despojado de tudo e todos, é interior e repúdio
do exterior. Vale por si e pelo que deixou ao seu redor73. Na cela, sobretudo na cela do seu
coração, agora vazio pela contínua mortificação do corpo e suas ligações ao mundo, o homem
tem "tempo" para empreender o caminho para Deus pela oração. Na oração, o contemptus
mundi ganha dimensão, transforma-se de simples atitude necessária, numa realidade da vida
interior, uma forma de amor. "É a oração - escreve Frei Tomé de Jesus - coisa que o corpo
pior sofre, e a troco dela tomaria antes açoites. Porque na mental oração, os sentidos, a vaidade
dos seus pensamentos (que é a coisa em que se mais desenfada) e suas inclinações estão
aferrolhadas; e da oração sai a alma com mais cuidado sobre ele, e vigia-se mais dele."74
A linguagem da dor e do amor
Não abundam, na obra de Frei Tomé de Jesus, belas imagens poéticas para expressar
o divino, ou o contacto com o divino, tal como se podem encontrar em Francisco de Osuna,
em Teresa de Ávila ou em João da Cruz. A sua linguagem cuidada literariamente é a linguagem
de um homem sensível e amante daquilo que escreve, cuidadoso no dizer e, sobretudo,
no fazer-se compreender pelos outros75.
A linguagem que a dor e o amor motivaram foi uma linguagem de exclamações, a
69 Trabalhos de Jesus, II, p. 345, II, p. 177.
70 Trabalhos de Jesus, II, p. 173.
71 Trabalhos de Jesus, II, pp. 170-171.
72 Trabalhos de Jesus, I, pp. 138-139.
73 Trabalhos de Jesus, I, pp. 127, 137-138.
74 Trabalhos de Jesus, II, p. 174.
75 "Tomé de Jesus acumula num só livro uma polifonia de vozes e de géneros, de modos, entremeando a narração
com o comentário e este com a meditação, a doutrina breve, a oração e a adoração. E o seu português, sem deixar de ser elegante, escorreito e imaginativo, não atinge nunca os píncaros de outros autores seus contemporâneos", transposição ao escrito de "gritos de alma". Alma enlevada na contemplação da perfeição divina. A essa característica junta-se o realismo da narração dos trabalhos, em que, com uma linguagem capaz de estabelecer conotações sensitivas, o frade agostinho consegue que o leitor participe naquilo que narra.
"Ó, ó, ó amor! Ó, ó, ó amor. (...). Ah! ah! ah! Deus, ah! ah! ah! meu! Ó se aqui
em ti se acabasse o que tu não és! Vive amor, e vive em mim. Viva eu só em ti, ó Deus, ó
amor, ó meu, ó Jesus. (...). Ó quem sempre a essas chagas, e açoites suspirasse, e a elas de
todo o coração se aferrasse! "76
Uma questão de obediência O caminho das observâncias passa por uma defesa da obediência, como forma de virtude e de garantia do cumprimento do estipulado nas regras das Ordens. Não nos deve por isso admirar o peso que Frei Tomé concede ao "obedecer" como estrutura de aperfeiçoamento.
O obediência tem, no seu pensamento, duas dimensões principais. É a obediência que
conduz Jesus a sofrer os trabalhos, as dores, para que o amor possa inundar os homens decaídos.
Obedecer é uma atitude de fidelidade que, em Jesus, dimana da sua união com Deus Pai.
Sendo assim, o sofrimento de Jesus é um sofrimento obediente do Deus-homem, contra o
qual o homem-Deus pode, se não revoltar-se, pelo menos, reagir com "medo". Por isso, na
pena de Frei Tomé, nos aparece escrito: "Todavia sustentava ele sua humanidade com a virtude
de sua divindade, para que chegasse ao cabo com tudo quanto determinava padecer"11
Só que a obediência, porque é fazer a vontade própria ainda que mandada, ganha a dimensão
do amor. Ganha-a na própria dor, aspecto que já tocámos. Mas ganha-a, também, no acto de
vontade que é afirmação de individualidade e da capacidade do homem se assemelhar a Deus.
Por uma acção de amor Jesus padece o determinado, mas porque o quer e por isso
obedecendo, o que torna toda a caminhada, sua e do homem, um acto de obediência78.
"Despia-se, vestia-se, tornava-se a despir, dava as mãos para lhas atarem e desatarem, lançava-
se sobre a Cruz para o pregarem com tanta mansidão e obediência como se foram
mandamentos do Padre Eterno. "79
A obediência ganha uma segunda dimensão na imitação a que obriga os cristãos.
Obedecer ao texto bíblico, ao conjunto dos mandamentos, é obedecer e participar de um acto
de vontade querido por Deus. Se essa obediência ganha a dimensão do espiritual que é, em
Frei Tomé, a da imitação da dor de Cristo com o amor que este sentiu, então, obedecer tornase
acto de entrega, gozo de sofrer e participação real no divino80. Afinal, ao homem, obedecer
não é mais que uma questão de aceitação do seu lugar face a Deus e da possibilidade de
subir nesse lugar até ao Criador.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

FREI TOMÉ DE JESUS

Frei Tomé de Jesus

Nascimento: 1529, Lisboa
Morte: 1582-1583

Frei Tomé de Jesus nasceu em Lisboa, em 1529. De origem nobre, foi educado por Frei Luís de Montoia, no Colégio de N.ª Sr.ª da Graça, em Coimbra. Em 1544 professou na Congregação dos Eremitas de Santo Agostinho, no Colégio de N.ª Sr.ª da Graça, em Lisboa.
Em 1578, tendo acompanhado D. Sebastião a África, foi capturado em Alcácer Quibir e morreu na prisão, entre finais de 1582 e inícios de 1583.
Feito prisioneiro, sofreu os piores tratos e humilhaçóes. No cárcere, "havendo por muito segredo, papel e tinta...as mais das vezes , sem mais luz que a que entrava pelas gretas da porta ou agulheiros e buracos das paredes",conseguiu escrever um dos livros mais belos da nossa espiritualidade-"Os trabalhos de Jesus"

Os Trabalhos de Jesus, dividida em duas partes (a primeira editada em 1601 e a segunda em 1609) e escrita enquanto estava preso, é, sem dúvida, a mais importante. Escritos às escondidas, sem livros de consulta, embora acusem leituras anteriores da escola de místicos flamengos e alemães dos séculos XIV e XV, os Trabalhos de Jesus são constituídos pela reconstituição imaginária de 50 dos padecimentos (ou trabalhos) de Cristo, e ainda de outros passos da sua vida, seguidos de exercícios ou preces de resignação e humilhação. Com o objectivo de consolar os companheiros de cativeiro, elabora uma mística da dor, exaltando, em longas enumerações, os sofrimentos padecidos por Cristo.
Frei Tomé regressaria a Marrocos para se dedicar aos cativos.
Foi tal a santidade que, na morte, os próprios mouros o choraram.
Era irmão de francisco de Andrade e do teólogo Diogo de Paiva Andrade.

SANTO AGOSTINHO DE CANTUÁRIA-BISPO

Secretariado Nacional de Liturgia
«Vós tendes palavras de vida eterna»

S. AGOSTINHO DE CANTUÁRIA, bispo
27 Maio


Nota Histórica
Era monge do mosteiro de S. André de Roma, quando foi enviado por S. Gregório Magno, no ano 597, a Inglaterra, para pregar o Evangelho. Foi bem recebido e ajudado pelo rei Etelberto. Consagrado bispo de Cantuária, converteu muitos à fé cristã e fundou algumas Igrejas, principalmente no reino de Kent. Morreu a 26 de Maio do ano 604 ou 605.

Missa
ORAÇÃO
Senhor, que levastes a luz do Evangelho aos povos da Inglaterra pela pregação de Santo Agostinho de Cantuária, fazei que os seus trabalhos continuem a dar frutos na vossa Igreja. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

Liturgia das horas
Das Cartas de São Gregório Magno, papa

(L. 9, 36: MGH, Epistolae, 2, 305-306) (Sec. VI)

Os anglos foram inundados pela luz da santa fé

Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos por Ele amados, porque Cristo, o grão de trigo, caiu na terra e morreu, para não reinar sozinho no Céu. Por sua morte nós vivemos, por sua fraqueza nos fortalecemos, por sua paixão nos livramos da nossa, por seu amor procuramos na Bretanha irmãos que não conhecemos, por sua bondade encontrámos a quem procurávamos sem conhecer.
Quem será capaz de expôr a enorme alegria que encheu o coração de todos os fiéis, pelo facto de os anglos, pela acção da graça de Deus omnipotente e do teu trabalho, irmão, terem repelido as trevas do erro e terem sido inundados pela luz da santa fé? Com grande fidelidade de espírito, já calcam aos pés os ídolos que antes adoravam com insensato temor; com pureza de coração, já se prostram diante de Deus omnipotente; obedecendo às normas da santa pregação, abandonam as obras do pecado e aceitam de boa mente os mandamentos de Deus, para chegarem a compreendê-l’O melhor; prostram-se por terra em oração, para que o espírito não fique preso à terra. Quem pôde conseguir este fruto, senão Aquele que disse: O meu Pai trabalha até ao presente e eu trabalho também?
Cristo, para mostrar que o mundo não se converte com a sabedoria dos homens mas com o seu poder, escolheu como seus pregadores, para enviar pelo mundo, homens iletrados. O mesmo fez também agora com o povo dos anglos, pois Se dignou realizar prodígios por meio de débeis instrumentos. Mas há nesta graça celestial, irmão caríssimo, muito para nos alegrarmos e muito para temermos.
Bem sei que Deus omnipotente realizou grandes milagres por meio do teu amor para com esse povo que Ele quis escolher. Mas esta graça do Céu deve ser para ti causa de alegria e de temor. De alegria, sem dúvida, por veres como as almas dos anglos são conduzidas, por meio dos milagres exteriores, até à graça interior; e de temor, para que, à vista dos milagres que se realizam, não se exalte a tua debilidade até à presunção, e enquanto exteriormente és honrado, não caias interiormente na vanglória.
Devemos lembrar-nos que os discípulos, ao voltarem da pregação cheios de alegria, quando disseram ao divino Mestre: Senhor, em teu nome até os demónios nos obedeceram, logo ouviram como resposta: Não vos alegreis por causa disso, mas alegrai-vos antes porque os vossos nomes estão escritos no Céu

quarta-feira, 26 de maio de 2010

SÃO FILIPE NERI-O SANTO DOS JOVENS E DA ALEGRIA



Nascido em 1515, Filipe estudou com os dominicanos em Florença e tornou-se profundamente religioso. Aos 17 anos, deixou a casa de seus pais para trabalhar com o tio mercador e instalou-se em Roma no ano seguinte. Filipe encontrou trabalho como tutor e viva com simplicidade num sótão. Passava o seu tempo livre em oração e a estudar teologia. Pessoa de grande devoção, muitas vezes encontrava conforto espiritual nas catacumbas de Roma. Sendo um homem de caridade, vendeu toda a sua biblioteca e deu tudo aos pobres e tudo fazia para ganhar os jovens para Deus.

Fazendo o trabalho de Deus
Em 1551, Filipe tornou-se sacerdote. Sentiu desejo de ir para as missões nas Índias, porém, o seu Bispo esclareceu-lhe que a sua Índia era Roma. Passou a pregar nas ruas, visitava e cuidava dos doentes e idosos. Todos gostavam dele devido à sua generosidade, modestia e sentido de humor. É hoje conhecido como o santo da alegria.
Dirigia as orações no oratório da Igreja de São Girolamo para um grupo de padres. Em breve, alguns leigos juntaram-se-lhes. Filipe pedia-lhes que trabalhassem em hospitais e recolhessem esmolas para os pobres. A liderança de Filipe nos encontros do oratório causou alguma controvérsia e foi acusado de ser abertamente ambicioso. Consegui defender-se destas calúnias e, em 1575, o seu grupo foi reconhecido como uma nova Ordem: a Congregação do Oratório. Filipe não exigiu votos formais dos seus membros e cada casa da Ordem era dirigida de forma independente. No final da sua vida, Filipe era conhecido como o “Apóstolo de Roma” pelos seus esforços para incutir novas dinâmicas na Igreja

terça-feira, 25 de maio de 2010

SANTA MADALENA DE PAZZI

SANTA MARIA MADALENA DE PAZZI (1566-1607)

Santa Maria Madalena de Pazzi nasceu em 1566, em Florença, na Itália. Recebeu o nome de Catarina no batismo e cresceu bela e muito inteligente em sua cidade natal, Florença. Tinha origem nobre, com acesso tanto à luxúria quanto às bibliotecas e benfeitorias da corte da família De Médici, que governava o ducado de Toscana. Sua sensibilidade foi atraída pelo aprendizado material e espiritual, abrindo mão dos prazeres terrenos, do luxo e das vaidades que a nobreza proporcionava. Assim, ao contrário do desejo dos pais, fez a primeira comunhão aos dez anos, coisa nada normal para a época.

Aos dezoito entregou-se à vida religiosa das carmelitas, onde assumiu o nome de Maria Madalena. A partir daí, passou a viver experiências místicas impressionantes, onde eram comuns os êxtases provocados por penitência, oração e contemplação, originando extraordinárias visões proféticas.

Para que suas revelações divinas não se perdessem, seu superior ordenou que três irmãs anotassem fielmente as palavras que explodiam de sua boca durante os êxtases. Um volumoso livro foi escrito com essas premonições e mensagens, e ela de próprio punho escreveu muitas cartas dirigidas a papas e príncipes contendo ensinamentos e orientações.

A vida mística acabou lhe acarretando doenças e desolações interiores que consumiram sua saúde. Seu zelo pelas almas não tinha limites. Gritava pelos corredores do Mosteiro de Florença: “Almas, Senhor, dá-me almas”! Seu grande anelo está plasmado nesta frase: “Jesus meu: dá-me uma voz potente que a ouça o mundo inteiro. Nosso amor próprio é o que nos ofusca o vosso conhecimento... amor próprio que é contrário ao Vosso, Senhor... Amor, faz com que as criaturas não amem outra coisa senão a Ti”!

Morreu em 25 de maio de 1607 com apenas quarenta e um anos. Foi canonizada, pelo Papa Clemente IX, no mesmo ano, coisa nada natural até na sua época.

PENSAMENTOS DE SANTA MARIA MADALENA DE PAZZI

"Verdadeiramente és admirável, ó Verbo de Deus, no Espírito Santo, fazendo com que ele se infunda de tal modo na alma, que ela se una a Deus, conheça a Deus, e em nada se alegre fora de Deus".

"Ó almas criadas de amor e por amor, porque não amais o Amor?".

"Ó Amor não amado, nem conhecido. Ó Amor, faz com que todas as criaturas te amem, Amor"

"Vem, Espírito Santo. Venha a unidade do Pai e do bem-querer do Verbo. Tu, Espírito da Verdade, és o prêmio dos santos, o refrigério dos corações, a luz das trevas, a riqueza dos pobres, o tesouro dos que amam, a saciedade dos famintos, o alívio dos peregrinos; tu és, enfim, Aquele que contém em si todos os tesouros. Vem, tu que, descendo em Maria, realizaste a encarnação do Verbo, e realiza em nós, pela graça, o que nela realizaste pela graça e pela natureza".

"Vem, tu que és o alimento de todo pensamento casto, a fonte de toda clemência, a plenitude de toda pureza. Vem e transforma tudo o que em nós é obstáculo para sermos plenamente transformados em Ti".

"E parecia-me que a plataforma deste templo foi a elevada mente e o alto entendimento da Virgem Maria. Havia também um altar, e percebi que era a vontade da Virgem. E a toalha do mesmo altar era a sua puríssima virgindade. E o cibório onde Jesus se encontra é o coração da Virgem. E diante do altar vi sete lâmpadas que entendi serem os sete dons do Espírito Santo que igual e perfeitamente se encontravam na Virgem Maria. E sobre o altar encontravam-se doze formosíssimos candelabros que eu percebi serem os doze frutos do Espírito Santo que a Virgem possuía".

"A alma que recebe o Sangue divino torna-se bela como se a vestissem preciosamente, e tão brilhante e fulgurante que, se pudéssemos vê-la, seríamos tentados a adorá-la".

"Quando ofereces o precioso Sangue ao Pai celeste, lhe ofereces um dom tão agradável, que ele se reconhece teu devedor".

"O tempo mais apropriado para crescer no amor de Deus é aquele que se segue após a comunhão".

"A alma que recebe a Eucaristia se torna bela, como que revestida de uma veste preciosa, e tão resplandecente, que, se pudéssemos vê-la, ficaríamos tentados a adorá-la"

"Todas as nossas orações não devem ter outra finalidade a não ser alcançar de Deus a graça de seguir em tudo sua santa vontade"

"Com a obediência estou segura de fazer a vontade de Deus, ao passo que não estou segura dedicando-me a qualquer outra ocupação"

"A perfeita obediência exige uma alma sem juízo próprio"

"Felizes os religiosos que, desapegados de tudo por meio da pobreza, podem dizer: 'Senhor, sois a parte da minha herança' (Sl 15,5)"

"Certas pessoas querem o meu Espírito, mas querem-no como lhes agrada, tornam-se assim incapazes de rcebê-lo"

"Meu Senhor pensou em criar esta flor, desde toda eternidade por meu amor"

"Sim, Jesus, vós estais louco de amor!"

"Deus remunera as nossas boas obras segundo a pureza de intenção"

"Quando pedimos as graças a Deus, ele não só nos atende, mas de certo modo nos agradece"

"A honra de uma pessoa desejosa de vida espiritual está em ser colocada depois de todas as outras e em ter horror a ser preferida aos outros".

"Os olhos da intenção reta inclinam a si os olhos do agrado divino"

"Para a perfeição importa irmos não andando, mas correndo; não correndo, senão voando"

"Só de ouvir nomear o pecado deveríamos morrer de espanto"

"Ai, ai, ai daquele por quem na Religião se introduzir vaidade ou propriedade"

"A estrada para o Paraíso mais limpa, mais breve e mais segura é a Religião"

"Ah! Bom Jesus! Quanta doçura está encerrada nesta só palavra: Vontade de Deus!"

"Dar bom exemplo ao próximo é uma das maiores honras que podemos dar a Deus".

"Sobre o nada da humildade funda Deus o mundo da perfeição"

"Que vergonha! Nós entre rosas, Cristo entre espinhos!"

"A alma vestida de caridade é quase onipotente".

"O Espírito Santo vem à alma, marcando-a com o precioso selo do sangue do Verbo, ou seja, do Cordeiro imolado. Mais ainda, é esse mesmo sangue que O incita a vir, embora o próprio Espírito já por Si tenha esse desejo".
Postado por Gilberto Ribeiro e Silva às 01:26

sábado, 22 de maio de 2010

SANTO AGOSTINHO ROSCELLI-SACERDOTE


quarta-feira, 5 de maio de 2010
Santo Agostinho Roscelli, Presbítero, Fundador (+1902), 07 de Maio
Nasceu na pequena cidade de Bergone di Casarza Ligure, Itália, no dia 27 de julho de 1818. Durante sua infância, foi pastor de ovelhas. A sua família, de poucos recursos, constitui para ele um exemplo de fé e de virtudes cristãs.
Aos dezessete anos, decide ser padre, entusiasmado por Antonio Maria Gianelli, arcebispo de Chiavari, que se dedicava exclusivamente à pregação aos camponeses, e hoje está inscrito no livro dos Santos. Em 1835, Agostinho vai para Gênova, onde estuda enfrentando sérias dificuldades financeiras, mas é ajudado: pela sua força de vontade, oração intensa e o auxílio de pessoas de boa vontade.
É ordenado sacerdote em 1846, e enviado para a cidade de São Martino d´Alboro como padre auxiliar. Inicia o seu humilde apostolado à serviço de Deus, dedicando-se com zelo, caridade e exemplo ao crescimento espiritual e ao ministério da confissão.
Agostinho é homem de diálogo no confessionário da igreja genovesa da Consolação, sendo muito procurado, ouvido e solicitado pela população. Sua fama de bom conselheiro corre entre os fiéis, o que faz chegar gente de todas as condições sociais em busca de sua ajuda. Ele passa a conhecer a verdadeira realidade do submundo.
Desde o início, identifica-se nele um exemplo de sacerdote santo, que encarna a figura do "pastor", do educador na fé, do ministro da Palavra e do orientador espiritual, sempre pronto a se doar na obediência, humildade, silêncio, sacrifício e seguimento dócil e abnegado de Jesus Cristo. Nele, a ação divina, a obra humana e a contemplação fundem-se numa admirável unidade de vida de apostolado e oração.
Em 1872, alarga o campo do seu apostolado, interessando-se não só pelas misérias e pobrezas morais da cidade, e pelos jovens, mas também pelos prisioneiros dos cárceres, a quem leva com afeto o conforto e a misericórdia do Senhor. Dois anos mais tarde, passa a dedicar-se inclusive aos recém-nascidos, e em favor das mães solteiras, vítimas de relações enganosas, dando-lhes assistência moral e material, inserindo-as no mundo do trabalho honesto.
Com a ajuda de algumas catequistas, padre Agostinho passa à ação. Nasce um grupo de voluntárias, e acolhem os primeiros jovens em dificuldades, para libertá-los do analfabetismo, dando-lhes orientação moral, religiosa e também, uma profissão. E a obra cresce, exatamente, porque responde bem à forte demanda social e religiosa do povo.
Em 1876, a partir dessa obra funda a congregação das Irmãs da Imaculada, indicando-lhes o caminho da santidade em Maria, modelo da vida consagrada. Após o início difícil e incerto, a congregação se consolida e se difunde em toda a Itália e em quase todos os continentes.
A vida terrena do "sacerdote pobre", como lhe costumam chamar, chega ao fim no dia 07 de maio de 1902. O Papa João Paulo II proclama Agostinho Roscelli santo no ano de 2001

SENHOR, EU SEI QUE TU ME SONDAS!

SANTA RITA DE CÁSSIA



História de Santa Rita de Cássia


Santa Rita nasceu (1377-1457) no povoado de Rocca Porena, região de Cássia, Província de Perúgia, nos Montes Apeninos, na Itália.

Aspirações contrariadas

Desde sua infância, Santa Rita anelava uma vida consagrada a Deus. O mosteiro das agostinianas em Cássia a atraía especialmente.
Porém, aos 18 anos de idade, seus pais a destinaram ao matrimônio.
Casaram-na com um tal Ferdinando, jovem violento e de mau gênio, de quem Rita teve gêmeos: Tiago Antonio e Paulo Maria.
O marido da Santa fez muitos inimigos na região, por causa de seu caráter impulsivo. Ao se sentir ofendido, procurava vingar-se. Quando não podia alcançar seus objetivos, desabava seu furor sobre a esposa.
Aos poucos, entretanto, Ferdinando começou a refletir e a admirar a incomparável paciência de Santa Rita e teve vergonha de si próprio. Quando sentia que lhe sobrevinha a cólera, saía de casa e só retomava após recobrar a calma.
Afinal, certo dia, ajoelhou-se diante da esposa e cobrindo suas mãos de ósculos e lágrimas, disse compungido: "Perdoa-me, Rita, fui indigno de ti, mas tudo terminou. Tua imensa bondade conquistou-me".

A conversão do próprio marido foi o primeiro grande impossível obtido pela Santa.

Novas angústias

Toda a povoação, aliviada, percebeu a pacificação daquele desordeiro. Contudo, nem todos haviam esquecido as violentas rixas causadas por Ferdinando: houve quem quisesse agora vingar-se.
Assim, voltando uma noite de Cássia, ele foi impiedosamente assassinado por inimigos.
Os gêmeos possuíam a natureza orgulhosa e iracunda do pai e foram provavelmente excitados à vingança.
A Santa percebeu que ambos os filhos não mais a escutavam e que a voz do sangue os haveria de arrastar ao mal. E então pediu a Deus que os levasse inocentes, se fosse humanamente impossível evitar que se tomassem criminosos.
Não levou tempo, os garotos caíram doentes e morreram, com pequeno intervalo de tempo, um após o outro.
Havendo perdido pais, esposo e filhos, Santa Rita, aos 30 anos de idade, estava sem entraves para realizar a grande vocação que acalentara desde a infância: tomar-se Sponsa Christi.
Mais um impossível que se realiza...

Aparições dos protetores celestes

Sob motivos vários, as religiosas recusaram a admissão de Santa Rita que teve que esperar dez longos anos... tendo recorrido a preces, mortificações e boas obras.
Quando Deus a viu perfeitamente resignada, teve compaixão e uma noite em que rezava, ouviu uma voz: "Rita! Rita!".
Ao abrir a porta deparou-se com três homens de venerável aspecto. Santa Rita logo os reconheceu: São João Batista, Santo Agostinho e São Nicolau de Tolentino, que se puseram a caminho.
Em êxtase, acompanhou-os e em instantes pararam diante da vetusta porta do convento de Santa Maria Madalena, em Cássia. Os três santos fizeram-na atravessar incólume as grossas paredes de pedra do mosteiro...
Ao alvorecer, as monjas desceram para se reunir na capela: estupefatas ali encontraram aquela viúva tão insistentemente recusada!
Com a maior simplicidade, Rita narrou-lhes o que sucedera e, diante deste inegável milagre, foi admitida no convento.
Mais um impossível realizado...

Os estigmas

Santa Rita sempre teve especial devoção em meditar sobre a Paixão de Nosso Senhor.
Em certa oportunidade veio pregar a Quaresma em Cássia São Tiago della Marca, íntimo amigo de São Bernardino de Siena e de São João Capistrano. (Que tempos aqueles... que abundância de santos!).
O sermão que fizera a respeito da Paixão foi particularmente eficaz na alma de Santa Rita. Prostrou-se diante de um Crucifixo e suplicou ardentemente que lhe fosse concedida a graça de participar de Suas dores em expiação pelos pecados do mundo.

Eis que um espinho, destacado da coroa do Crucificado, penetrou tão profundamente em sua fronte que a fez cair desmaiada e quase agonizante.

Enquanto estigmas de outros santos, como São Francisco de Assis tinham a cor do sangue puro e não eram repugnantes, o de Santa Rita converteu-se numa ferida repelente e fétida sobre a qual nenhum remédio fazia efeito. Desta maneira, ela se viu obrigada a permanecer, durante quinze anos, em cela afastada, onde recebia o estritamente necessário para viver.

Últimos anos de vida

O passar dos anos, as dores, os jejuns e as penitências, não tardaram a consumir as forças da Santa, que passou no leito os quatro últimos anos de sua existência.

Em pleno inverno, uma parenta veio visitá-la. Antes de partir, perguntou-lhe se desejava alguma coisa. ––Sim, respondeu a Santa –– queria que me trouxesse uma magnífica rosa que está no meu antigo jardim (em Rocca Porena). A parente pensou que Rita já delirasse, mas, concordou para não a entristecer.
E qual não foi sua surpresa quando, entrando no antigo jardim da Santa, viu resplandecente rosa no arbusto de folhagem contraída pela geada. Colheu-a e logo retomou ao convento. Santa Rita disse-lhe então: "Já que fostes tão amável em me trazer a rosa, queria que colhesse agora os figos frescos que estão na figueira do meu jardim..." Desta vez ela não duvidou e tendo encontrado os figos, levou-os à Santa dos impossíveis.

"Em três dias estarás comigo no Céu"

Num dos últimos dias de vida, eis que brilhante luz iluminou sua cela e Nosso Senhor e Nossa Senhora lhe apareceram. Santa Rita, arrebatada em êxtase, exclamou:
"Quando enfim, ó Jesus, poderei possuir-Vos para sempre? Quando poderei estar na Vossa presença?" "Em breve - respondeu o Redentor ––mas não ainda". "Quando?" Replicou a Santa. "Em três dias estarás comigo no Céu".

A 22 de maio de 1457 sua bela alma voava para o Paraíso celeste.

Apenas a Santa exalara o último suspiro, o sino do mosteiro, soou três vezes por mãos de anjos, pois ninguém os tocara, anunciando sua morte.
Tomadas de espanto todas monjas acorreram imediatamente à sua cela. Estavam decididas a suportar o repugnante odor do ferimento. Mas qual não foi a admiração geral quando perceberam que do corpo de Santa Rita se desprendia inefável perfume. A ferida encontrava-se inteiramente cicatrizada e sua face resplandecente apresentava sorriso indescritível.
A irmã Catarina Mancini, paralítica de um braço, ficou tão impressionada que quis abraçá-la, e o fez sem dificuldade, pois acabava de ser curada pela Santa...
O corpo foi logo transladado para um oratório público, a fim de ser venerado pelo povo de Cássia e arredores que acorreu em número e fervor crescentes.

Situação do corpo

Santa Rita, por singular privilégio, nunca foi sepultada, e até hoje não se consumou para ela a sentença que toca a todos os filhos de Adão: "Tu és pó e em pó te hás de tornar" ...
Seu corpo incorrupto, revestido com o hábito monástico da ordem de Santo Agostinho, não se mumificou e nem enegreceu, mas está como o de uma pessoa que acaba de falecer. Mais ainda, a carne é branca, sem corrupção e toda a face muito bem disposta. Da mesma maneira estão alvas e intactas as mãos, com dedos e unhas.
Igualmente não se pode explicar o suave perfume que, de tempos em tempos, se exala de seu corpo.
O fato mais maravilhoso que sucede com o corpo da Santa é que, de vez em quando, ele se move. O que foi constatado repetidas vezes desde 1629 até 1899. Ora ela abre os olhos, ora volta a cabeça para o povo, move os pés, as mãos etc.
As graças concedidas por Deus pela intercessão de Santa Rita de Cássia, canonizada pelo Papa Leão XIII, em 1900, são inumeráveis e contínuas.
A Santa dos impossíveis obtém conversões estupendas e curas prodigiosas. Antes mesmo dos decretos da Igreja, Rita de Cássia foi canonizada pela voz do povo fiel

PALAVRA DO SENHOR COM OS ARAUTOS DO EVANGELHO

Evangelho segundo São João 21,20-25
Naquele tempo: 20Pedro virou-se e viu atrás de si aquele outro discípulo que Jesus amava, o mesmo que se reclinara sobre o peito de Jesus ...
Sábado, 22 de Maio de 2010.

SANTO DO DIA: Santa Rita de Cássia; São Domingos Ngon, mártir

Primeira Leitura - Atos dos Apóstolos 28,16-20.30-31
Leitura dos Atos dos Apóstolos:

16Quando entramos em Roma, Paulo recebeu permissão para morar em casa particular, com um soldado que o vigiava. 17Três dias depois, Paulo convocou os líderes dos judeus. Quando estavam reunidos, falou-lhes: 'Irmãos, eu não fiz nada contra o nosso povo, nem contra as tradições de nossos antepassados. No entanto, vim de Jerusalém como prisioneiro e, assim, fui entregue às mãos dos romanos. 18Interrogado por eles no tribunal e não havendo nada em mim que merecesse a morte, eles queriam me soltar. 19Mas os judeus se opuseram e eu fui obrigado a apelar para César, sem nenhuma intenção de acusar minha nação. 20É, por isso, que eu pedi para ver-vos e falar-vos, pois estou carregando estas algemas exatamente por causa da esperança de Israel.' 30Paulo morou dois anos numa casa alugada. Ele recebia todos os que o procuravam, 31pregando o Reino de Deus. Com toda a coragem e sem obstáculos, ele ensinava as coisas que se referiam ao Senhor Jesus Cristo.
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus

Salmo 10
Deus está no templo santo, e no céu tem o seu trono; volta os olhos para o mundo, seu olhar penetra os homens.
R. Ó Senhor, quem tem reto coração há de ver a vossa face. Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia
Examina o justo e o ímpio, e detesta o que ama o mal. Porque justo é nosso Deus, o Senhor ama a justiça. Quem tem reto coração há de ver a sua face.
R. Ó Senhor, quem tem reto coração há de ver a vossa face. Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia

Evangelho de Jesus Cristo segundo São João 21,20-25
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São João:

Naquele tempo: 20Pedro virou-se e viu atrás de si aquele outro discípulo que Jesus amava, o mesmo que se reclinara sobre o peito de Jesus durante a ceia e lhe perguntara: 'Senhor, quem é que te vai entregar?' 21Quando Pedro viu aquele discípulo, perguntou a Jesus: 'Senhor, o que vai ser deste?' 22Jesus respondeu: 'Se eu quero que ele permaneça até que eu venha, o que te importa isso? Tu, segue-me!' 23Então, correu entre os discípulos a notícia de que aquele discípulo não morreria. Jesus não disse que ele não morreria, mas apenas: 'Se eu quero que ele permaneça até que eu venha, que te importa?' 24Este é o discípulo que dá testemunho dessas coisas e que as escreveu; e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro. 25Jesus fez ainda muitas outras coisas, mas, se fossem escritas todas, penso que não caberiam no mundo os livros que deveriam ser escritos.
- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor.


Comentário ao Evangelho do dia feito por Santa Teresa de Ávila (1515-1582), carmelita, Doutora da Igreja
Poema «Vuestra soy, para vos nací» (a partir da trad. de OC, Seuil 1995, p. 1225)
«Se Eu quiser que ele fique até Eu voltar, que tens tu com isso? Tu, segue-me!»
Sou Tua, para Ti nasci,
Que queres Tu de mim?

Majestade soberana,
Sabedoria eterna
Bondade tão boa para a minha alma,
Deus Altíssimo, Ser único, Bondade,
Repara na minha extrema pequenês,
Em mim que Te canto hoje o meu amor.
Que queres Tu de mim?

Sou Tua, pois me criaste
Tua, pois me resgataste,
Tua, pois me sustentas,
Tua, pois me chamaste,
Tua, pois me esperaste,
Tua, pois não me perdi,
Que queres Tu de mim?

Que queres Tu, pois, Senhor tão bom,
Que faça uma tão vil serva?
Que missão deste Tu
A esta escrava pecadora?
Eis-me aqui, meu doce amor,
Doce amor, eis-me aqui.
Que queres Tu de mim?

Eis o meu coração,
Deponho-o na Tua mão,
Juntamente com o meu corpo, a minha vida, a minha alma,
As minhas entranhas e todo o meu amor.
Doce Esposo, meu Redentor,
Ofereci-me para ser Tua,
Que queres Tu de mim?

Dá-me a morte, dá-me a vida,
A saúde ou a doença
Dá-me honrarias ou humilhações,
A guerra ou a mais profunda paz,
A debilidade ou a força absoluta,
A tudo Te digo sim:
Que queres Tu de mim? [...]

Sou Tua, para Ti nasci,
Que queres Tu de mim?

sexta-feira, 21 de maio de 2010

POR MARIA A JESUS




A Clara Scarabelli(Genepreto,1912-mântua,1994),
clarissa de clausura, pelo seu grande amor a Maria, teve a dita de num dia 16 de maio de 1950, quando a religiosa se encontrava em adoração na capela, ficar deslumbrada por um grande raio de luz que saia do lado direito do altar- era a Virgem Maria.
Diz a religiosa:
"Vi baixar do alto uma lindíssima Senhora, de uma beleza que não consigo descrever. Vinha vestida de branco, coberta com um véu também branco, todo enfeitado de ouro. Usava à cintura uma faixa azul. A mão esquerda elevava-se à altura da cintura, ou melhor, um pouco mais acima e, segurava um coração. À volta deste, como se fosse uma circunferência, havia uma coroa de espinhos, três dos quais o trespassavam...
Vendo-me, receosa e insegura, disse-me sorrindo: "Não tenhas medo, minha filha, que eu sou a tua mãe, a Rainha do céu e da terra. Venho junto de ti para te pedir um favor: preciso da tua ajuda.
Vês estes espinhos que me atravessam o coração? São os pecados de muitos dos meus filhos que não me amam e ofendem o Senhor! Venho para os chamar à conversão, à penitência, e para lhes dar o dom do meu coração, para que compreendam quanto os amo apesar dos seus pecados. Espero lavá-los ao Coração de Cristo para o consolar pelos numerosos pecados que cometem tantas das suas criaturas. A Sua misericórdia é infinita. Ele espera com ternura que todos voltem ao Seu Coração.
Confiou ao meu coração imaculado a salvação da humanidade... Eu sou o refúgio dos pecadores. Vinde, vinde todos ao meu coração e encontrareis a paz que tanto buscais!...
Sei que me amas e é por isso que te pergunto se aceitas cooperar comigo para propiciar um dom de amor a todos os meus filhos"...
Numa segunda aparição, a Virgem Maria pediu que fosse cunhada uma medalha, que continuassem a rezar e para todos os homens se converterem. Pediu que fosse rezada a seguinte oração:"Jesus, Maria, amo-Vos. Salvai todas as almas ." Disse ainda que se esta jaculatória for rezada com fé salvará muitas almas.
A medalha foi cunhada 40 anos depois de ser pedida.
Pediu ainda a Senhora-Rezai muito pelo Santo Padre que é o Benjamim do meu Coração. Orai fortemente e fortalecei o Coração da Trindade para que ninguém se perca. Cristo morreu por todos. Escutai o Santo Padre, permanecei bem unido a ele, mantende-o com a oração, defendei-o pois que tem muitos inimigos que dificultam a sua obra de salvação do Reino de Cristo... Rezai, rezai de forma especial com a oração do coração, na intimidade com Deus, com Cristo, e dai lugar ao Espírito Santo que reza em vós e por vós. Rezai o terço para afastar satanás que trabalha sem tréguas para perder as almas e encontrar colaboradores. Só a oração é poderosa.

ORAÇÃO DA TARDE-A VERDADEIRA CRUZ



ORAÇÃO DA TARDE-A VERDADEIRA CRUZ
A verdadeira Cruz não é aquela que nós julgamos que nos dá tempo de dizer, em tom de desabafo:
- porque hei-de ser tão sacrificada ao ter de fazer isto ou aquilo?,
A verdadeira cruz é aquela que não tem palavras para a definir, que é invisível, que se LEVA, como que aperfeiçoando o nosso silêncio, as nossas palavras, o nosso sorriso, a nossa oferta interior,sem lembrança de nada, Num estado de abandono, à maneira do riacho que só beija as pedras, numa intimidade plena com o verdadeiro SOFREDOR a cruz é Caminho no deserto. Num segredo de Deus que nos ama. a verdadeira cruz é como um cesto sempre vazio, e que dum momento para o outro se enche com as cores do arco-íris em contínua transformação na luz branca da pureza das açucenas.
É a cruz que não se projecta, porque qual infinidade de estrelas no Céu da alma , misturadas no espaço celeste, só Deus conhece o brilho, muito longínquas porque nascidas no "AGORA". É no "AGORA"que o vem buscar para tecer um cordão santificante, de côr peroleada com perfume de rosas com espinhos.
É a cruz, um feixe de vimes, que sempre tenrinhos, porque improvisados pelo "AGORA" divino,que leva o Espírito Santo a gritar-nos aos ouvidos do coração( a surdez física aqui é só um apêndice dum boneco articulado, que faz parte da tal cruz visível):"Acautela-te que o Meu Fogo agora queima! Não O apagues com os teus alaridos que O não deixam ruborizar, deitando tudo a perder.
Ele, a essa cruz transparente, com côr da chama sangue que arde, queima e que cobre os limites sem BASTA, chama-lhe o" ESCUDO DA PAZ".
O MAR DA CRUZ É INFINITO.COMEÇA NO MAIS ESCONDIDO SEIO DA TERRA E CONTINUA NA ETERNIDADE DOS BEM-AVENTURADOS.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

ORAÇÃO QUE O SANTO PADRE BENTO XVI RECITOU EM FÁTIMA




Oração que o Santo Padre Bento XVI recitou

em Fátima aos pés da Virgem Maria

.
" Senhora Nossa
e Mãe de todos os homens e mulheres,
aqui estou como um filho
que vem visitar sua Mãe
e o faz na companhia
de uma multidão de irmãos e irmãs.
Como sucessor de Pedro
a quem foi confiada a missão
de presidir ao serviço
da caridade na Igreja de Cristo
e de confirmar a todos na fé
e na esperança,
quero apresentar ao vosso
Coração Imaculado
as alegrias e esperanças
e também os problemas e as dores
de cada um destes vossos filhos e filhas,
que se encontram na Cova da Iria
ou nos acompanham de longe.
Mãe amabilíssima,
Vós conheceis cada um pelo seu nome,
com o seu rosto e a sua história,
e a todos quereis com
a benevolência maternal
que brota do próprio coração de Deus Amor.
A todos confio e consagro a Vós,
Maria Santíssima,
Mãe de Deus e nossa Mãe.
O Venerável Papa João Paulo II,
que Vos visitou três vezes, aqui em Fátima,
e agradeceu a «mão invisível »
que o libertou da morte
no atentado de treze de Maio,
na Praça de São Pedro, há quase trinta anos,
quis oferecer ao Santuário de Fátima
uma bala que o feriu gravemente
e foi posta na vossa coroa de Rainha da Paz.
É profundamente consolador
saber que estais coroada
não só com a prata
e o oiro das nossas alegrias e esperanças,
mas também com a bala
das nossas preocupações e sofrimentos.
Agradeço, Mãe querida,
as orações e os sacrifícios
que os Pastorinhos
de Fátima faziam pelo Papa,
levados pelos sentimentos
que lhes infundistes nas aparições.
Agradeço também todos aqueles que,
em cada dia,
rezam pelo Sucessor de Pedro
e pelas sua intenções
para que o Papa seja forte na fé ,
audaz na esperança e zeloso no amor.
Mãe querida de todos nós,
entrego aqui no vosso Santuário de Fátima,
a Rosa de Oiro
que trouxe de Roma,
como homenagem de gratidão do Papa
pelas maravilhas que o Omnipotente
tem realizado por Vós
no coração de tantos que peregrinam
a esta vossa casa maternal.
Estou certo que os Pastorinhos de Fátima,
os Beatos Francisco e Jacinta
e a Serva de Deus Lúcia de Jesus
nos acompanham nesta hora de prece
e de júbilo."

ORAÇÃO DA MANHÃ

ORAÇÃO DA NOITE COM PADRE CARLOS PAIS






OS SINAIS DO ESPÍRITO

Ó Espírito Divino

relação viva do Pai e do Filho,
nesse abraço de entrega recíproca,
donde brota a nossa própria comunhão,
nós Te adoramos e bendizemos,
ESPÍRITO DIVINO, NÓS TE ADORAMOS
E BENDIZEMOS

.
Água viva que irrompe do coração do Pai
e chega até nós pelo Filho,
Tu és na profundidade dos nossos corações,
o manancial secreto que nos sedenta e nos recria,
para o serviço apaixonado do reino
.
ESPÍRITO DIVINO, NOS TE ADORAMOS
E BENDIZEMOS
!
.
Unção sagrada, que nos consagra
no baptismo como filhos,
Tu és o dinamismo radical de todas as missões
com que sofrida e valorosamente assumimos
a nossa vocação pastoral.

ESPÍRITO DIVINO, NÓS TE ADORAMOS
E BENDIZEMOS!

.
Fogo inextinguível de amor pentecostal,
Tu és ardor divino que nos consome e arrebata
numa purificação transformadora,
que nos tornará testemunhas credíveis
da mensagem cristã.
ESPÍRITO DIVINO, NÓS TE ADORAMOS
E BENDIZEMOS
!
.
Nuvem luminosa nas obscuridades da vida,
Tu és o sinal visível dessa proximidade divina,
que nos cobre com a sua sombra protectora
e nos assegura essa presença pessoal da Trindade,
que nos envolve e conforta.
ESPÍRITO DIVINO, NÓS TE ADORAMOS
E BENDIZEMOS!

.
Selo vivo da marca de Deus
e vínculo perceptível da aliança definida,
que se renova diariamente na Eucaristia
e confirma a nossa configuração com Cristo.
para sermos uma Igreja viva e apostólica.

ESPÍRITO DIVINO, NÓS TE ADORAMOS
E BENDIZEMOS!

.
Mão de Deus que repousa paternalmente sobre nós,
Tu és a possibilidade incarnada dessa vivência pessoal
do amor com que o Pai nos cria
e da Paixão com que o Filho nos redime e nos salva.

ESPÍRITO DIVINO, NÓS TE ADORAMOS
E BENDIZEMOS!

.
Pomba criadora que nos devolve a paz e o perdão,
Tu és a imagem sensível dessa presença renovadora,
que nos traz o sopro divino e o fogo sagrado,
para que, nas tarefas da missão,
não nos faltem nem a inspiração, nem o alento.

ESPÍRITO DIVINO, NÓS TE ADORAMOS
E BENDIZEMOS!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

QUEM FOI BEATA HELENA GUERRA


Beata Elena Guerra: Apóstola do Espírito Santo e Precursora dos Movimentos Carismáticos do Século XX!
Pe. Eduardo Braga (Dudu)

Toda a história da salvação está marcada pela presença viva e operante do Deus fiel que é Amor (Cf. I Jo 4,16) e pelo Espírito derramado em nossos corações (Cf. Rm 5,5). Também a nossa vida cristã está cheia da presença de Cristo e do Espírito Santo!

Santo Irineu dizia que onde está a Igreja está o Espírito de Deus e todas as graças. E foi justamente nos momentos mais difíceis da história da Igreja que o Espírito Santo utilizou concretamente homens e mulheres para que estes pudessem servir de fermentos de renovação diante dos desafios e crises. É neste contexto profético que podemos falar de Elena Guerra, a “Apóstola do Espírito Santo dos tempos modernos”.

Elena nasceu em Lucca, na Itália, no dia 23 de Junho de 1835. Viveu e cresceu em um clima familiar profundamente religioso. Durante uma longa enfermidade, se dedicou a meditar a Palavra de Deus e a estudar os escritos Padres da Igreja, o que determinaria seu discernimento na vida espiritual e no seu apostolado, primeiro na “Associação das Amigas Espirituais”, idealizada por ela mesma para promover entre as jovens a amizade cristã, e depois nas “Filhas de Maria”.

Em Abril de 1870, Elena vive um momento determinante em sua vida. Participa de uma Peregrinação pascal em Roma juntamente com seu pai, Antônio. Entre outros momentos marcantes, a visita as Catacumbas dos Mártires confirmou nela o desejo pela vida consagrada. Em 24 de Abril assiste, na Basílica de São Pedro, a terceira sessão do Concílio Vaticano I, na qual vinha aprovada a Constituição “Dei Filius” sobre a Fé. A visita ao Papa Pio IX a comove de tal maneira que depois de algumas semanas, já em Lucca, no dia 23 de Junho, faz a oferta de toda a sua vida pelo Papa.

No ano de 1871, depois de uma grande noite escura seguida de graças místicas particulares, Elena com um grupo de Amigas Espirituais e Filhas de Maria, dá início a uma nova experiência de vida religiosa comunitária, que em 1882 culminará na fundação da “Congregação das Irmãs de Santa Zita”, dedicada a educação cultural e religiosa da juventude. É neste período que Santa Gemma Galgani se tornará “sua aluna dileta”.

Em 1886, Elena sente o primeiro apelo interior a trabalhar de alguma forma para divulgar a Devoção ao Espírito Santo na Igreja. Para isto, escreve secretamente muitas vezes ao Papa Leão para exortá-lo a convidar “os cristãos modernos” a redescobrirem a vida segundo o Espírito; e o Papa, amavelmente, endereça a Igreja alguns documentos que são como que uma introdução à vida segundo o Espírito e que podem ser considerados também como o início do “retorno ao Espírito Santo” dos tempos atuais: a breve “Provida Matris Charitate” de 1895, com o qual pedia que fosse celebrada a Novena de Pentecostes em toda Igreja; a “Divinum Illud Munus” em 1897, primeira Encíclica dedicada ao Espírito Santo na história da Igreja, e a carta aos bispos “Ad fovendum in christiano populo” de 1902, pedindo que Bispos e Sacerdotes pregassem sobre o Espírito Santo e recordassem da obrigatoriedade da Novena do Espírito Santo.

Em Outubro de 1897, Elena é recebida em audiência por Leão XIII, que a encoraja a prosseguir o apostolado pela causa do Espírito Santo e autoriza também a sua Congregação a mudar de nome para melhor qualificar o carisma próprio na Igreja: as Oblatas do Espírito Santo!

Para Elena a exortação do Papa é uma ordem e se dedica ainda com maior empenho a causa do Espírito Santo, aprofundando assim, para si e para os outros, o verdadeiro sentido do “retorno ao Espírito Santo”. Será este o mandato da sua Congregação ao mundo!

Elena, em suas meditações com a Palavra de Deus, é profundamente impressionada e comovida por tudo o que acontece no Cenáculo histórico da Igreja Nascente: ali, Jesus se oferece como vítima a Deus para a salvação dos homens; ali, institui o Sacramento de Amor, a Eucaristia; ali, aparece aos seus depois da ressurreição e ali, enfim, manda de junto do Pai o Espírito Santo sobre a Igreja Nascente.

A Beata entende que a Igreja está endereçada a realizar os mistérios do Cenáculo, mistérios permanentes, e, portanto, o Mistério Pascal: a Igreja é por isto, prolongamento do Cenáculo e analogamente, é ela mesma como um Cenáculo Espiritual Permanente.

É neste Cenáculo do Mistério Pascal, no qual o Senhor Ressuscitado reúne a comunidade sacerdotal real e profética, que também nós e cada fiel em particular, fomos inseridos pelo Espírito mediante o Batismo e a Crisma e capacitados a participar da Eucaristia, que é uma assembléia de confirmados, e portanto, semelhantes a primeira comunidade do Cenáculo depois da descida do Espírito Santo.

È nesta prospectiva que Elena Guerra concebe e inicia o “Cenáculo Universal” como movimento de oração ao Espírito Santo, com uma estrutura muito similar aos nossos “Grupos de Oração”.

Elena morreu no dia 11 de Abril de 1914, Sábado Santo, com o grande desejo no coração de ver “os cristãos modernos” tomando consciência da presença e da ação do Espírito Santo em suas vidas, condição indispensável para a verdadeira “renovação da face da terra”.

Faltando poucos dias para a convocação do Concílio Vaticano II, o verdadeiro Pentecostes dos nossos tempos, o Papa João XXIII, eleva Elena Guerra a honra dos altares em 26 de Abril de 1959, fazendo-a a primeira Beata do seu Pontificado, quando a definiu “Apóstola do Espírito Santo dos tempos modernos”. Naquele dia, em sua homilia, o Papa afirmou: “A mensagem de Elena Guerra é sempre atual. Todos sentimos a necessidade de uma contínua Efusão do Espírito Santo, como a de um Novo Pentecostes, que renove a Terra”.

Nenhum outro santo deu tanto, orou tanto e sofreu tanto pela causa do Espírito Santo como Elena Guerra. Como RCC precisamos conhecê-la mais! Ela nos exorta: “Outrora, Jesus manifestou seu Sagrado Coração, agora quer manifestar o seu Espírito!”. Oremos como ela, para que no nosso tempo, o Espírito Santo seja “mais conhecido, amado e invocado”.

Beata Elena Guerra, Apóstola do Espírito Santo, Roga por nós e para que o Novo Pentecostes renove a Igreja, nossos corações e o mundo! Este artigo foi extraído da Revista Renovação. Ed. 50.